Primeira edição do Fotograma reforçou o protagonismo do cinema universitário cearense
- Corte Seco
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Evento realizado pela UFCA exibiu vinte e dois filmes de diversos gêneros, realizados por estudantes de cinco instituições de ensino superior do estado.
Luís Eduardo Victor
Estudante de Jornalismo/UFCA
Com a iminente inauguração do curso de Licenciatura em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Cariri (UFCA), a Pró-Reitoria de Cultura (Procult), em parceria com os projetos Corte Seco e Observatório Cariri de Políticas e Práticas Culturais, realizou, entre os dias 25 e 29 de maio de 2026, a primeira edição do Festival de Cinema e Audiovisual Universitário do Cariri (Fotograma). O evento reuniu uma seleção de filmes produzidos por estudantes de cinco instituições de ensino superior: três da região do Cariri, a UFCA, a Universidade Regional do Cariri (URCA) e Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (Unileão), e duas de Fortaleza, a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Universidade de Fortaleza (Unifor).

Trazendo a potência de um momento histórico do fim da Ditadura Militar, o Fotograma abriu sua primeira edição com a estreia nordestina do documentário Anistia 79 (2026), da cineasta e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Anita Leandro, que também participou de um debate mediado pelo professor Ricardo Salmito, do curso de Jornalismo da UFCA.

Os filmes exibidos ao longo do festival refletem toda a pluralidade do audiovisual cearense, que vão desde um documentário poético sobre uma cidade que deixou de ser cidade até experimentações visuais e sonoras que transformam as dunas da Sabiaguaba em um caldeirão de simbolismos e ancestralidade.
Nas noites de 26, 27 e 28 de maio, o Auditório Beata Maria de Araújo, no Campus Juazeiro do Norte, recebeu a exibição de 22 filmes que abordaram temáticas diversas. Entre eles, destacou-se o documentário Stênio Diniz – O cordel está vivo e ninguém vai matar (dir. Rafaelly Lima, Yasmin Ariadne e Laysla Ferreira, UFCA), que retrata a resistência de um artista popular diante da iminente transformação de seu espaço de trabalho em um museu. A programação também incluiu produções sobre a história do Mirajão, tradicional equipe amadora de futebol de Caririaçu, e narrativas de outros gêneros, como o terror Jaula de Vidro (dir. Mateus Lobo, Unileão), centrado em um jogo on-line que desencadeia acontecimentos sobrenaturais.
Na sexta-feira, 29 de maio, o festival foi encerrado com a cerimônia de premiação da mostra competitiva, que reconheceu os destaques da programação nas seguintes categorias:
Melhor Design de Som: Eu sou Maria de Araújo (dir. Álisson Flor, URCA);
Melhor Direção de Arte: Quimérico (dir. Izaaaki, Unifor);
Melhor Ator: Mikas, por sua atuação em Quimérico;
Melhor Direção: AYA (dir. Wallace Douglas, UFC);
Melhor Fotografia: Ladainha (dir. Marcelo Marallo, Unifor);
Melhor Atriz: Rayane Sousa, por sua atuação em O Sol Que Não Acorda;
Melhor Montagem: Sacra Sonha (dir. Sergim Duarte, UFCA);
Melhor Roteiro: Poeira Cinza (dir. Raíssa Fernandes, UFCA);
Menção Honrosa: Cococi (ou “Eu já fui cidade”) (dir. Yasmin Ariadne, UFCA);
Melhor Filme: Uma Mulher com Uma Câmera (dir. Sâmia Costa, UFCA);
Prêmio do Público (26/05): O Sol Que Não Acorda (dir. Leandro Santos, UFCA);
Prêmio do Público (27/05): Uma Mulher com Uma Câmera (dir. Sâmia Costa, UFCA);
Prêmio do Público (28/05): Alquimia Cangaceira (dir. José Ferreira e Raissa de Souza, UFCA).
Para além da exibição dos filmes e da premiação, o Fotograma também deixou marcas afetivas em seus participantes. Yasmin Ariadne, estudante do curso de Jornalismo da UFCA e vencedora da Menção Honrosa com Cococi (ou “Eu já fui cidade”), relata a saudade deixada pelo evento: “Foram meses organizando, acaba dando saudade, porque é impossível não olhar para cada detalhe e lembrar que ele foi feito a partir da ideia de alguém e que a gente esteve presente em todo esse processo”, declarou.
O diretor Marcelo Marallo, cujo filme Ladainha (2025) recebeu o prêmio de Melhor Fotografia, também destacou a importância da participação no festival. “Mais do que a conquista do prêmio de Melhor Fotografia, a seleção de Ladainha para o Fotograma já foi, por si só, uma grande alegria para toda a equipe. O Fotograma marcou a primeira exibição de Ladainha fora das capitais, levando o filme para o Cariri cearense, uma das regiões culturais mais importantes do estado, algo muito simbólico para um projeto universitário. Além disso, participar de um festival dedicado ao cinema acadêmico torna esse reconhecimento ainda mais especial, já que Ladainha foi realizado por uma equipe formada integralmente por estudantes que estavam no terceiro semestre do curso”, afirmou.
No último dia do evento, houve uma homenagem ao senhor Expedito Costa, pioneiro nos cinemas de rua no Cariri e em outras partes do Nordeste. O sr. Expedito tem uma longa trajetória entre cabines de projeção e gerências de cinemas, que levaram a beleza da sétima arte para milhares de pessoas no século passado.
Com a chegada do curso de Cinema e Audiovisual à UFCA, prevista para o primeiro semestre de 2027, a expectativa é que o Fotograma passe a integrar o calendário anual da Universidade. O mesmo se espera para seu evento-irmão, o Cariri É Cinema – Encontro de Cinema e Educação da UFCA, que, em sua segunda edição, foi realizado na mesma semana do festival. O encontro reuniu convidados de destaque de diferentes instituições de ensino superior, entre eles o professor Eduardo Duarte, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que ministrou uma palestra e lançou o livro Dinâmicas do Pensamento por Imagens. A programação também contou com a participação de Fábio Rodrigues, programador do Cinema do Dragão, em Fortaleza, que ministrou a palestra O ator negro no cinema, além do lançamento da oitava edição da Revista Corte Seco, realizado no Banco do Nordeste Cultural Cariri.




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