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Sala de cinema da UFCA se soma ao circuito alternativo de exibição no Cariri

  • Foto do escritor: Corte Seco
    Corte Seco
  • 28 de abr.
  • 5 min de leitura

Rosemberg Cariri, Hermano Pena, Hélder Martins, Bárbara Matias Kariri, Carlos Dias Oliveira, Adriana Botelho, Nívea Uchôa e Ythallo Rodrigues, todos cineastas da região do Cariri cearense, representam como a cultura cinematográfica sempre foi uma forma de manifestação da arte e da regionalidade. Em primeira instância seria possível pensar que ter quem produza os filmes seja o principal, mas existe uma realidade que vai além dos diretores. A produção é fundamental, no entanto sem as salas para exibição o cinema não existiria. Tão importante quanto as gravações são os locais para acontecer a culminância e valorização da arte, onde o público consiga assistir e se enxergar nas cenas através de cada enquadramento pensado pelos diretores. 


Juazeiro do Norte abriga, em meio a ruas com memórias ricas em cultura e prédios tão simbólicos quanto sua história, espaços dedicados ao cinema que vão além do circuito comercial do Cariri Garden Shopping. Um desses espaços é a nova sala de exibição da Universidade Federal do Cariri (UFCA), localizada no campus de Juazeiro do Norte, inaugurada no dia 17 de março com a apresentação do filme O Agente Secreto. Além disso, há espaços diversificados que se tornaram alternativas para manter a cultura dos cineclubes, ainda presentes como resistência da cultura cinematográfica presente na região do Cariri. Exemplos desses lugares são o Cine Café, do Centro Cultural Banco do Nordeste, e o Cine Eldorado, localizado na Cantina Zé Ferreira.


Nossa equipe resolveu conhecer essas três iniciativas que fazem o cinema caririense florescer. Também entrevistamos aqueles que estão com a mão na massa promovendo essas ações .


Entrevista com os idealizadores dos projetos de cineclubes no Cariri. Produção: Maria Júlia Alves Delfino e Ana Kaline de Souza Calixto


Nossa primeira parada é na UFCA, que está com grande expectativa na nova sala de cinema, na qual além de atender aos cursos já existentes, também deve funcionar como suporte para o futuro curso de Cinema e Audiovisual da universidade, anunciado em agosto de 2025, bem como para a comunidade externa. 

A instituição conquistou a instalação e os equipamentos sonoros e de imagens cinematográficas por meio do “Edital de Premiação Cultural - Fomento a Exibição, Preservação e empresas do Audiovisual Cearense”, que ofereceu premiações com recursos da Lei Paulo Gustavo para financiar iniciativas do setor. Em parceria com a Fundação de Apoio a Serviços Técnicos, Ensino e Fomento a Pesquisas (FASTEF), a UFCA concorreu na categoria “Cinemas e Salas de Exibição” e adquiriu a quantia de 338,8 mil para implementar o equipamento com a estrutura necessária. Agora, o auditório Maria Beata de Araújo, localizado no campus Juazeiro do Norte, possui uma utilidade mista, tanto para exibição de filmes, quanto para palestras, colações de grau, rodas de conversas e solenidades. 

Adriana Botelho, professora do curso de Design da UFCA, também cineasta e documentarista, foi a primeira a tomar conhecimento do edital e a articular a iniciativa, montando uma equipe em conjunto para realizar a ação, contando com Ricardo Ness, titular da Diretoria de Articulação e Relações Internacionais, Louise Buarque, coordenadora de projetos de arquitetura na Diretoria de Infraestrutura, e juntamente com Paulo Victor Vaz, coordenador técnico do Laboratório de Radiojornalismo.

Na cerimônia de inauguração dos equipamentos, o reitor da UFCA, Silvério Freitas, afirmou que pretende viabilizar, em breve, a instalação de equipamentos semelhantes no campus Crato, após a finalização da construção do auditório no campus. A iniciativa busca ampliar ainda mais as possibilidades de exibição de filmes e fortalecer o alcance do cinema na região do Cariri.

Ainda na cerimônia, a Pró-Reitora de Cultura da instituição, Aglaíze Damasceno, enfatizou a importância da implementação de equipamentos como esse para o fortalecimento da cultura e do cinema, destacando seu papel na aproximação entre a comunidade acadêmica e a comunidade externa. “É com muita alegria que estamos aqui na universidade compartilhando esse momento com vocês [...] que seja mais uma oportunidade pra gente reunir não só a comunidade da UFCA, mas, principalmente, também a comunidade externa seja convidada a frequentar a nossa universidade. E só lembrando: cinema é cultura", afirmou.



Auditório Beata Maria de Araújo durante a estreia da sala de cinema da UFCA, em Juazeiro do Norte (CE). Foto: Ályson Lima Cavalcante/Caio Lucas Araújo Viana.
Auditório Beata Maria de Araújo durante a estreia da sala de cinema da UFCA, em Juazeiro do Norte (CE). Foto: Ályson Lima Cavalcante/Caio Lucas Araújo Viana.

Da direita para a esquerda: Adriana Botelho, Louise Buarque, Paulo Victor Vaz, Silvério Freitas Jr., Aglaíze Damasceno Levy e Ricardo Ness, durante a inauguração da sala de cinema da UFCA, em Juazeiro do Norte (CE). Foto: Ályson Lima Cavalcante/Caio Lucas Araújo Viana.
Da direita para a esquerda: Adriana Botelho, Louise Buarque, Paulo Victor Vaz, Silvério Freitas Jr., Aglaíze Damasceno Levy e Ricardo Ness, durante a inauguração da sala de cinema da UFCA, em Juazeiro do Norte (CE). Foto: Ályson Lima Cavalcante/Caio Lucas Araújo Viana.

Nossa segunda parada é em um dos motores culturais de Juazeiro do Norte. Na praça Padre Cícero, coração da cidade, o grande prédio da agência do Banco do Nordeste abriga o Banco do Nordeste Cultural. Às 17h dos sábados, o cineclube Cine Café reúne a exibição de filmes, discussões sobre as obras e, claro, o bom café que rega as prosas dos amantes de cinema. “O cineclube é a parte da exibição. É quando você pega filmes já prontos, consagrados, e entrega para as pessoas assistirem”, afirmou José Eldo Elvis, produtor cultural e mediador de cinema responsável pelo clube. “Coisas como o Cine Café existem em todos os lugares do mundo. Pessoas, como eu, entendem que o cinema é uma arte importantíssima para a crítica, para a estética, para as emoções, para a humanização [...]. O Cineclube surgiu disso primeiro, antes de tudo”, continua o organizador do Cine Café.


Para conferir a programação, acesse o Instagram do Cine Café (https://www.instagram.com/cinecafeccbnbcariri/) ou o Instagram do Banco do Nordeste Cultural Cariri (https://www.instagram.com/ccbnb_cariri/).


Por fim, vamos a uma casinha antiga, ainda no centro da cidade, pintada de azul escuro e com duas janelas e uma porta emolduradas de branco. Quem passa sem saber do que se trata não imagina que uma casinha tão pequena já pertenceu à beata Mocinha, cuidadora do Padre Cicero, e hoje possui três funções nada parecidas: museu, bar e cinema. Esse é o Cine Eldorado, um espaço que une arte, gastronomia e muita história. O local guarda um rico acervo de objetos vindos diretamente do passado em algumas de suas salas e corredores, incluindo muitas imagens do “padim” . Em uma sala da casa, cadeiras que pertenciam ao antigo Cine Eldorado – cinema de rua da cidade – são parte de um espaço dedicado à exibição regular de filmes. Lá também funciona a Cantina Zé Ferreira - bar que homenageia José Ferreira de Menezes, antepassado dos atuais donos da casa que também era muito próximo do religioso. 


O que viemos conhecer nesse centro da vida cultural de Juazeiro do Norte é o seu importante papel na divulgação do cinema na região do Cariri. Quem recebeu nossa equipe foi o Francisco Humberto, organizador do local. Segundo ele, o bar surgiu a partir do cineclube organizado por seu pai, que juntou os amigos para exibir filmes na casa antiga. “Aí meu pai só mandando meu irmão comprar cerveja [...]. Meu irmão disse: ‘pai, posso pegar e vender cerveja praa esse povo?’. Aí meu pai pegou e disse: ‘pode’. Aí pronto, começou o bar daí”. Humberto também destacou a importância da iniciativa para a cultura cinéfila da região. “A gente resgata a cultura e a história do que foi a formação do Cariri; do cinema de rua, que não existe mais”.


As exibições acontecem às sextas e sábados, às 19h30. Mais informações no perfil da Cantina Zé Ferreira no instagram; https://www.instagram.com/cantina_ze_ferreira/


Sala de cinema do Cine Eldorado, na Cantina Zé Ferreira. Foto: Maria Julia Alves Delfino
Sala de cinema do Cine Eldorado, na Cantina Zé Ferreira. Foto: Maria Julia Alves Delfino

Da universidade ao centro cultural, passando até mesmo por um barzinho em uma casa antiga, os amantes do cinema continuam mantendo viva a apreciação da arte das telas. Iniciativas como essas permitiram – e até hoje permitem – que várias pessoas se apaixonem pelo grande universo dos filmes no Cariri, formando futuros produtores e divulgadores de cinema. Assim gira a roda da sétima arte. 


Texto:

Maria Clara Lavor Costa

Pedro Felipe Santana Borges

Francisco Silva de Sousa





 
 
 

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